Há 28 anos, a Feirinha Portinari transforma a Educação Financeira em uma experiência concreta para os alunos do Ensino Fundamental. Realizada no início do segundo semestre, a atividade convida os estudantes a colocar em prática conhecimentos construídos ao longo do ano, participando de uma feira de venda e troca entre colegas.
A preparação começa antes mesmo de os produtos chegarem às estações de venda. Durante as férias, os alunos, com a participação das famílias, organizam suas ideias e preparam as estruturas que irão utilizar na feira. Caixas são transformadas em barracas, espaços ganham identidade própria e brinquedos, jogos, roupas e outros objetos que já não são utilizados passam a fazer parte da experiência.
Assim, a Feirinha Portinari cria uma situação real na qual os alunos precisam pensar, escolher, organizar e tomar decisões.
Quando a Educação Financeira ganha vida
Ao participar da feira, o aluno deixa de observar conceitos financeiros apenas de forma abstrata e passa a lidar com situações concretas. É preciso pensar sobre o valor dos produtos, organizar aquilo que será colocado à venda, conversar com os colegas e tomar decisões durante as negociações.
A experiência permite trabalhar conceitos como valor financeiro, planejamento, escolhas, consumo consciente, negociação e empreendedorismo, sempre relacionados a uma situação próxima da realidade das crianças.
A Educação Financeira, nesse contexto, também se conecta ao desenvolvimento da autonomia. Ao decidir o que levar, como organizar sua estação e como participar das trocas e vendas, cada estudante assume responsabilidades e percebe as consequências de suas escolhas.
O planejamento começa em casa
Um dos aspectos que fazem parte da proposta é a participação das famílias durante a preparação. Nas férias, alunos e familiares trabalham juntos na construção das estações de venda, utilizando criatividade e recursos disponíveis para criar caixas e pequenas lojinhas.
Esse processo amplia a experiência para além do espaço escolar. A criança precisa pensar sobre aquilo que possui, identificar objetos que podem ganhar um novo uso, selecionar o que deseja levar para a feira e participar da organização de sua estação.
Para as famílias, esse momento também permite acompanhar como conhecimentos trabalhados pela escola podem aparecer em situações do cotidiano, especialmente quando a criança precisa explicar suas escolhas, organizar materiais e pensar sobre o valor dos objetos.
Escolhas, negociação e consumo consciente
Na Feirinha, vender e trocar são ações que exigem comunicação e tomada de decisão. Os alunos conversam entre si, conhecem os produtos disponíveis e avaliam suas possibilidades de escolha.
Nesse processo, conceitos como consumo consciente deixam de ser apenas expressões e passam a fazer parte de uma situação vivenciada pelos próprios estudantes. A atividade também estimula a reflexão sobre o valor atribuído às coisas e sobre a diferença entre querer, precisar, escolher e negociar.
A proposta está alinhada à compreensão de que a Educação Financeira deve estar relacionada à vida cotidiana e pode ser trabalhada de maneira transversal no Ensino Fundamental. O Banco Central, por exemplo, organiza o letramento financeiro escolar em temas como planejamento, consumo, poupança e investimento, renda e empreendedorismo, entre outros.
Protagonismo que começa na preparação
Cada estação representa uma parte do envolvimento do aluno com a proposta. A criança participa da escolha dos produtos, ajuda a organizar os materiais e prepara, junto à família, a estrutura que levará para a feira.
Quando a Feirinha acontece, todo esse planejamento ganha movimento. As estações são ocupadas pelos alunos, os produtos são apresentados e as relações de compra e troca acontecem entre os próprios colegas.
Esse protagonismo é importante porque coloca o estudante diante de situações nas quais precisa agir, comunicar suas ideias, fazer escolhas e assumir responsabilidades.
Uma tradição que continua formando para o futuro
Ao chegar à sua 28ª edição, a Feirinha Portinari mantém uma proposta que aproxima a aprendizagem escolar de situações concretas do cotidiano. Ao longo da atividade, os alunos têm a oportunidade de compreender que lidar com dinheiro também envolve planejamento, responsabilidade, escolhas e relações com outras pessoas.
Mais do que uma feira de venda e troca, a proposta representa uma etapa de um trabalho de Educação Financeira desenvolvido ao longo do ano. É nessa continuidade que a aprendizagem ganha significado, permitindo que os estudantes construam conhecimentos que podem acompanhar suas escolhas dentro e fora da escola.
A Feirinha Portinari mostra, na prática, como formar para o futuro também passa por criar oportunidades para que crianças aprendam a tomar decisões, assumir responsabilidades e compreender o valor das coisas no presente.
Texto: Lucas Bueno; Fotos: Ademir José Vonzubem | Portinari Grupo Educacional.
